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Mudam as regras para caminhões


Brasileiros querem a Habilitação de caminhões

por Mônica Carvalho Costa

Na expectativa de conseguir melhores empregos e maiores salários, muitos brasileiros estão aproveitando a oportunidade para obter a habilitação para caminhões grandes, os chamados ¨oo-gata¨ pelos japonês. A corrida para conseguir este tipo de habilitação ficou ainda mais intensa depois da divulgação da notícia de que as regras para essa categoria vão mudar. Atualmente, existem apenas duas opções: carro e caminhão. A partir do segundo semestre de 2007, serão três categorias: carro, caminhões médios e caminhões grandes (veja quadro).

A introdução de uma nova categoria traz mudanças profundas. Em Aichi, a pista do Centro de Treinamento para novos condutores, conhecido como Menkyo Center de Hirabari, está em obras para novos percursos. Hoje, o teste prático para carteira de caminhão é feito somente nas pistas internas, mas, depois das novas leis o teste será realizado também nas ruas. Além disso, mudam as regras para pesos e medidas dos veículos e a idade dos condutores. O motorista precisará ter acima de 21 anos e pelo menos três anos de experiência para dirigir os caminhões com mais de 11 toneladas.

Para o ex-policial e agora chefe do Centro de Treinamento de Hirabari, Kukino Massahiro, 63, aqueles que possuem a carteira brasileira de caminhão devem aproveitar para fazer a transferência e enfrentar o teste ainda no Menkyo Center, porque após as mudanças ficará mais rígido - ¨Achamos oportuno passar essa informação para que os brasileiros possam se antecipar, pois eles são maioria por aqui¨, diz o chefe.

Cerca de 150 brasileiros circulam todo mês por Hirabari, somando mais de 80% dos alunos somente aos sábados. Instrutores garantem que a procura por caminhões aumentou desde o semestre passado. Sandro Kiyoshi Yamashiro, 37, de Nishio, é um desses que resolveu enfrentar o teste antes das mudanças - ¨Fiz essa opção porque acredito que a lei vai complicar. Os japoneses são muito rigorosos. Reprovei em dois testes porque eles exigem que façamos no trânsito tudo exatamente como eles fazem¨, comenta.

A iniciativa de Yamashiro, que por quatro anos dirigiu caminhões de quatro toneladas no Japão, foi influenciada também pela opinião de amigos que trabalham no setor de cargas e que afirmam ter salários mais altos. ¨Ganha-se mais e não é um trabalho tão desgastante como na fábrica. Até quem nunca pensou em dirigir um caminhão, agora está tentando tirar a carteira ¨, conclui o operário.

José Antonio de Oliveira Santos, 40, Higashiura, sonhou com essa possibilidade há quatro anos atrás, quando a empresa que trabalhava anunciou a redução de salários. Largou a empilhadeira e na boleia do caminhão descobriu os prazeres da estrada. ¨ É uma experiência muito boa. Você aprende muito mais do que dirigir um grande veículo. Você se familiariza com o sistema de produção da empresa, conhece gente nova todo dia, não tem chefe em cima de você toda hora e descobre que mesmo os caminhoneiros japoneses são companheiros, ajudando uns aos outros¨, define os benefícios.

No entanto, Santos afirma que o trabalho de caminhoneiro tem exigências que nem todos conseguem cumprir. A tarefa não se resume apenas em transportar a carga, às vezes é necessário carregar e descarregar o caminhão nos braços ou com empilhadeira. ¨Se a pessoa não tem domínio do idioma japonês e é muito estressada no trânsito, não vai muito longe¨, analisa. Segundo o caminhoneiro, um bom começo para quem deseja seguir a estrada seria buscar emprego em pequenas empresas e dirigir caminhões menores para ganhar experiência.

Mas, para quem ainda vai enfrentar o processo da licença, o chefe do Centro de Treinamento de Hirabari dá outra dica - ¨Seria muito melhor se todos contassem com a ajuda de alguém mais experiente. O segredo é contratar um bom tradutor que tenha capacidade para instruir dentro do sistema e fazer várias aulas. Mesmo que possa parecer mais caro, é o caminho mais curto para a aprovação¨- afirma Massahiro.

Notas:

- No Japão, os caminhões transportam 11 vezes mais carga do que as ferrovias, bem superiores ao índice de 0,8 nos Estados Unidos e de 2,4 vezes na Alemanha Ocidental.

- As vendas de caminhões no Japão aumentaram 2,7%, para 564.000 unidades em 2006

- Caminhões de produtos brasileiros…há cerca de 500 deles em todo o Japão que andam pelos condomínios vendendo produtos tipicamente brasileiros, como café, feijão, carnes e outros.

  • Mônica Carvalho Costa é profissional da comunicação, jornalista, especializada em marketing. Matéria publicada também na revista Japan Total
  • foto: Jose Antonio Oliveira dos Santos

 

 

 

 

 

 

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