Brasileiros enfrentam o desafio de obter a Carteira de Habilitação Japonesa
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por Mônica Carvalho Costa (especial para Revista Japan Total)
Empresas especializadas afirmam que mais brasileiros tentam tirar carteira japonesa
Os brasileiros no Japão não abrem mão do direito de dirigir nas ruas apertadas do país. E têm bons motivos para isso: muitos se sentem seduzidos pelos carros modernos japoneses, querem se ver livres do “sougei” oferecido pelas empreiteiras, ou simplesmente querem dispor de transporte próprio por morar longe do trabalho e precisar buscar os filhos na escola.
Hoje a grande demanda por carteira de habilitação é de jovens e mulheres. Isso incentivou Isaías Aguiar, que trabalha há dez anos com assessoria em Aichi, a ampliar os seus negócios, inaugurando a Aguiar Driving School em Anjo (Aichi).
“A procura pela habilitação japonesa cresceu tanto que resolvemos abrir uma auto-escola com toda a assistência que o brasileiro precisa. Isso prova que o dekassegui está pensando mais como imigrante, está mais ciente de suas responsabilidades como cidadão e confiante para enfrentar o processo”, comenta. Aguiar afirma que um de seus objetivos é ajudar principalmente jovens que cresceram no arquipélago e que, sem orientação, acabam dirigindo sem carteira.
Akio Yamamoto, presidente da Libras Driving School, também conta que a procura é grande por parte dos jovens e daqueles que estão com a carteira brasileira vencida. Para atender essa demanda, a Libras abriu escolas em Gifu, Shizuoka, Gunma e Aichi. “A carteira de motorista é o documento mais importante do Japão. É como um porte de arma, um veículo que pode tirar a sua vida e a vida de outros. Por isso, o brasileiro precisa se conscientizar da importância de estudar as regras e aprender a conduzir o veículo dentro dos limites da lei japonesa”, argumenta Yamamoto.
Longa jornada
Para conseguir a carteira definitiva, o aluno deve ter no mínimo 30 horas de aulas teóricas e 20 horas de aulas práticas, para conhecer e aprender melhor as regras de trânsito do Japão. De acordo com Yamamoto, é aí que reside a maior dificuldade para o aluno: encontrar tempo para estudar. “Cabe o esforço de cada um. Tem aquele que conhece o idioma, mas se não estudar as leis não passa. E tem aquele que não sabe nada da língua, se esforça e passa. Depende de cada um”, comenta Yamamoto.
Isaías Aguiar incentiva: “A pessoa deve acreditar em si mesma e investir na realização desse sonho. Tenho certeza que vale a pena se esforçar”. Além da habilitação como prêmio, Aguiar destaca o fato de que os alunos podem aprimorar o inglês. “Mesmo depois dos testes, o aluno pode continuar nos estudos do idioma e se preparar para outras oportunidades”, acredita.
Eles preferem a carteira japonesa
A transferência da carteira de habilitação é o caminho mais prático para quem já possui o documento brasileiro. Mas é a via mais longa para os não habilitados. Até alguns anos os brasileiros viajavam para os Estados Unidos ou Filipinas para conseguir uma carteira internacional. Depois, com o impedimento desse tipo de licença com vigência menor do que 90 dias, muitos se viram obrigados a buscar a habilitação no Brasil ou a enfrentar os trâmites no Japão.
Mas voltar ao Brasil ou viajar para outro país para obter a carteira pode representar custos altos, longa ausência da família no Japão (de quatro a seis meses) e ficar sem salários. Para quem faz os cálculos, a melhor opção é encarar as aulas e testes para conquistar a habilitação japonesa.
Lincoln Hayashi, 25, de Gifu, é um dos que fez as contas e concluiu que não vale a pena ir ao Brasil somente pela carteira. “O que gastei aqui equivale apenas ao custo da passagem e tem mais o que gastaria nos meses que ficasse no Brasil, e ainda deixaria de ganhar mais de um milhão de ienes em salários”, conta.
Hayashi disse, porém, que a maior dificuldade foi enfrentar a ansiedade e as cobranças. “O mais difícil foi o receio de ser avaliado e ainda por cima em japonês. A ansiedade das provas e a cobrança ‘você está gastando e se não passar?'. Alguns amigos apostaram que eu não conseguiria e outros apoiaram. Acho que foi um grande desafio e eu venci”, comemora.
Handerson Yukio Hami, 18, de Aichi, concorda que ficar no Japão é mais vantajoso. “Aqui posso continuar trabalhando, ganhando, estar junto dos meus pais e tirar minha carteira ao mesmo tempo. Assim vou adiantar a minha volta definitiva ao Brasil para fazer faculdade”, revela.
Além de ter aproveitado para treinar o idioma inglês, durante seus estudos, Handerson afirma que não é bom se arriscar nas ruas sem ser habilitado. “As leis de trânsito são muito rigorosas no Japão. Penso que se for pego seria muito ruim para mim e para minha família. Conheço gente que dirige sem carteira, mas não quero isso para mim, por isso estou batalhando pela carteira”, diz.
Para dirigir no Japão
1 Carteira internacional
A carteira internacional de habilitação, emitida pelos países signatários do Tratado de Genebra, é reconhecida e válida no Japão. O prazo vigente dessas habilitações é de um ano, a partir da data de entrada no país, porém limitado ao prazo de validade da carteira, e desde que comprove a permanência por um período superior a 90 dias.
2 Transferência
Fazer a transferência da carteira emitida no país de origem para carteira de habilitação japonesa, desde que comprove a permanência no país de origem da carteira por um período superior a 90 dias. Atenção: Se o passaporte tiver data de emissão inferior a três meses, pode ser exigido um outro documento para comprovar a residência no país de origem.
3 Carteira Japonesa
Submeter-se às mesmas condições dos japoneses para adquirir a carteira de habilitação japonesa. Nesse caso, porém, é possível fazer os testes escritos também em inglês
Para tirar carteira japonesa
O futuro motorista deve se preparar para as etapas do processo:
1 Teste de 50 questões. Em 30 minutos.
2 Primeiro teste de condução. Circuito interno.
3 Teste de 100 questões. Em 50 minutos.
4 Segundo teste de condução. Circuito externo, nas ruas.
Idade: 18 anos para carro, 16 anos para moto.
Tempo: se tiver um bom rendimento o aluno pode levar de 1 a 3 meses em média para conseguir a habilitação.
Idioma: os testes escritos podem ser feitos em japonês ou inglês. Ainda não existem testes em português, somente para a transferência da carteira brasileira.
Documentos: na matrícula, apenas o Gaijin Toroku.
Tipo de carteiras: É necessário fazer o teste para obter carteira para cada categoria: moto, carro, caminhão ou carreta. Pode-se também optar por veículos manuais ou automáticos.
Troca da carteira brasileira
1 Ter a habilitação válida. Caso já tenha sido renovada, apresentar a antiga
2 Apresentar comprovante de residência de três meses ou mais no país de origem, após a data da emissão da carteira
3 Preencher o formulário de solicitação da troca
4 Traduzir a carteira para o japonês apenas no Japão. Será aceito o documento traduzido pela embaixada ou pela JAF (Japan Automobile Federation)
5 Fazer o exame de aptidão física.
6 Fazer a prova de conhecimento de regras de trânsito em português, espanhol ou inglês
7 Fazer a prova de condução. Teste de volante no Centro de Habilitaçã
- Mônica Carvalho Costa é profissional da comunicação, jornalista, especializada em marketing
- foto: Handerson, aluno da Aguiar Driving School
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