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INVESTINDO NO FUTURO


INVESTINDO NO FUTURO

 

por Mônica Carvalho Costa

Pais garantem, vale a pena investir em cursos extras para seus filhos no Japão

No início os pais vieram sós, depois trouxeram as esposas e por último chegaram os filhos. Até então, criança no Japão era sinônimo de gasto e impedimento para o trabalho. Muitos sequer freqüentavam a escola. Mas, essa história mudou. Nos dias atuais, os pais preocupados com a educação das crianças descobriram que não há tempo a perder quando se trata em investir no futuro de seu filho.

Pressionados a proporcionar uma melhor educação, preparando os filhos para um mundo cada vez mais competitivo, alguns pais não querem mais esperar até a vida financeira melhorar ou apenas quando voltarem ao Brasil, para oferecerem condições aos filhos de crescerem e se aperfeiçoarem. Eles resolveram investir mais nos cursos e nas atividades extracurriculares.

Soma-se a isso o fato de que muitos desses pais trabalham longas horas e lotar a agenda da criança com cursos extras costuma ser uma solução para não deixá-la sozinha em casa. Mais argumentos encontraram os pais que decidiram viver a vida no Japão sem previsão de volta ao Brasil. Nesse caso, incentivar o pequeno a dedicar-se a todo tipo de aprendizado torna-se também objetivo de toda a família.

Mary e Walter Chayamiti, pais de Noemi Ryssa, 6 anos e Renata Yukari de 11, possuem essa linha de pensamento. Para eles, ficar no Japão e investir na educação das filhas foi uma opção desde o princípio. ¨A família sofre com esse ir e vir do Brasil, esse entra e sai da escola. È um tempo que a criança perde e fica cheia de incertezas, por isso, optamos dar a elas um só caminho até o ginásio. ¨ - afirma Mary.

Alice e Walter Murakami, pais de Lucas, 9, e Willians, 7 anos, também ressaltam não terem previsão para a volta da família ao Brasil, e por essa razão escolheram investir para que os filhos não sofram as mesmas dificuldades que eles quando chegarem à fase adulta. Compartilha desse mesmo pensamento, Elisete Hakomaru, mãe de Beatriz Ayumi, que argumenta: ¨Você deve passar para seu filho que ele tem que estudar aqui como se fosse a vida inteira. E educar para não desistir facilmente, como muitos de nós fizemos no passado.¨

De quem é a escolha?

Balé, judô, natação, inglês, informática, música...a lista de opções é grande, principalmente para as crianças que já dominam o idioma japonês. Porém, nem sempre a escolha pelo curso extra partem delas. É comum os pais decidirem pelos filhos que tipo de atividade eles irão desenvolver. Alguns apontam a necessidade, como no caso dos cursos de línguas, ou o interesse da criança por aquela área, como fator determinante na hora de escolher o curso.

Os pais de Verônica, Rodrigo e Aline de Paula, contam que ela desde pequenininha já fazia poses para a câmera. Vaidosa, sempre gostou de escolher as roupas que vai vestir e de desfilar buscando a opinião e a atenção dos pais. ¨Nós a matriculamos no curso, não simplesmente pensando ¨Ah, ela vai ser modelo¨, e sim porque acreditamos que pode contribuir para seu crescimento. É uma boa ocupação, onde ela se diverte, aprende boas maneiras e desenvolve o lado social, vencendo a timidez. ¨ complementa o pai.

Beatriz entrou para o curso de balé pela mesma razão. A mãe, Elisete, se lembra bem de como a filha estava sempre na ponta dos pés, dando alguns passinhos pra lá e pra cá dentro de casa. A professora de Beatriz ajudou a encontrar uma escola de balé perto de casa. Elisete explica: ¨Nós pensamos em vários cursos, como o Kumon, o Sorobam...Mas, ela adora balé. Já o português e a natação, não havia como fugir, pois, o português é importante e a natação porque ela também precisava de uma atividade física.

Os alunos de inglês, Lucas, Willians e Renata Yukari, foram incentivados pelos pais a aprenderem o idioma universal. Dos três, apenas Willians tinha afinidades com a língua inlgesa. Yukari, porém, foi descobrindo aos poucos que estudar inglês poderia também ser uma grande diversão. Sua mãe, Mary, confessa que no início ela não queria fazer o curso, mas, insistiu. ¨Ela tinha vergonha, sei lá, não queria. Então, combinei com o professor uma aula demonstrativa em minha casa. Deu certo, ela gostou, e agora a cada aula volta pra casa empolgada com o que está aprendendo¨.

As preferências das crianças nas atividades extras também são muito influenciadas pelos colegas e pelos modismos divulgados na tv. Em ano de Olimpíada, como em 2004, há uma tendência dos pequenos procurarem por atividades físicas que estejam em evidência, como judô e ginástica olímpica. Vale a pena lembrar que a decisão final deve estar baseada no bem-estar da criança e na compatibilidade dos cursos com o ritmo de cada um, sem sobrecarregar os filhos com excesso de atividades.

Vale a pena investir nos cursos extras?

Os pais entrevistados pela revista Look, garantem que todo esforço é compensado quando se vê estampado no rosto da criança o sorriso de quem está feliz. Para eles, o dinheiro não é visto como um gasto, mas como um investimento para o futuro, um alicerce para as realizações posteriores. Eles acreditam que estão proporcionando aos filhos a possibilidade de conquistarem coisas maiores do que as que seus pais alcançaram até hoje.

Elisete Hakomaru, que já trabalhou na área do ensino infantil no Brasil, lamenta ver que muitos pais ainda não entendem que a educação não é somente a escola regular e se decepciona quando recebe críticas por acharem que ela está gastando muito dinheiro com a filha Beatriz - ¨A educação é um todo, não é apenas aquilo que é passado na escola. A cultura, o esporte, tudo que você vive ao longo da sua vida também faz parte¨.

Definir quanto gastar em cursos extracurriculares para os filhos é uma tarefa complicada até mesmo para os consultores de finanças. Primeiro, porque é difícil determinar o percentual do orçamento destinado ao investimento de cursos extras, além disso, depende muito do que o mercado oferece. O importante é organizar todos os gastos para não comprometer o orçamento familiar.

Em média, um só curso infantil pode variar de 5 mil a 10 mil ienes no Japão. O que fica mais caro são os materiais e as apresentações anuais, conforme cada curso. Os pais de Beatriz arcaram com mais de 100 mil ienes na apresentação de balé que aconteceu em agosto passado. ¨A apresentação não é obrigatória, mas, toda criança quer isso. Se ela não fosse, sentir-se-ia excluída. Nós preferimos pagar e realizar o sonho dela. ¨- explica Elisete.

Para quem tem mais de um filho, a conta no final do mês pode ficar ainda maior. Alice e Walter Murakami sabem o que é isso, são cerca de 20 mil ienes, todo mês, de cada um dos filhos, Lucas e Willians, só com os cursos extras. Ainda assim, Alice diz que compensa - ¨Estamos investindo no futuro dos nossos filhos, na auto-estima deles, na capacidade de aprender a aprender sempre. Isso vale qualquer custo¨.

Mary Chayamiti, dribla o orçamento para atender as necessidades das duas filhas, Ryssa e Yukari, no entanto, para ela tudo é uma questão de prioridades - ¨Não adianta ganhar rios de dinheiro e perder seus filhos aqui. O valor que nós dermos a eles é o que vai ficar nos seus corações, não as nossas riquezas. Investimos neles porque eles são a nossa herança no futuro¨.

  • matéria publicada também na revista Look

 

 

 

 

 

 

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