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Meu Negócio é aqui!


Meu negócio é aqui!

por Monica Carvalho Costa *

 

A família Kaneta tem nas veias a determinação japonesa e o empreendedorismo brasileiro. Essa mistura levou os descendentes, Gerson Kaneta, 56, e os filhos André, 24 e Robson, 26, a desenvolverem projetos que vão além dos objetivos pessoais. Eles querem também melhorar a vida dos dekasseguis no arquipélago.

¨Nós tínhamos a meta de conseguir uma casa própria para cada um de nós. Mesmo depois de havermos alcançado a meta, resolvemos ficar. E já são 11 anos no Japão¨, conta o pai.

Durante oito anos, Kaneta administrou uma conhecida franquia de uma loja de produtos alimentícios na cidade de Kariya, Aichi. No final de 2007, fechou um acordo e comprou a loja que agora leva seu sobrenome. ¨Como franquia era difícil desenvolver novas idéias. Eu tinha que aceitar a imposição que vinha da matriz. O momento foi oportuno e acredito que fizemos um bom negócio¨, defende o empresário.

Para ele, ter um negócio no Japão é mais vantajoso, tranqüilo e seguro. ¨Ser comerciante no Brasil é viver com medo constante da violência. Aqui não temos isso. A nossa dificuldade reside em ganhar a confiança de particulares e imobiliárias que ainda temem em alugar imóveis para os estrangeiros¨, diz.

Essa dificuldade também é partilhada pelos filhos que trabalham com uma produtora de eventos, a Canto da Terra. André e Robson são parceiros nos bailes sertanejos que realizam há seis anos na região de Aichi e que divertem mais de 500 pessoas por dia. ¨Alugar locais para festas ainda é muito complicado. O japonês não tem uma cultura de festas noturnas. Pensa apenas no barulho, nas brigas que podem ocorrer¨, reclamam.

Os jovens empresários lamentam também a falta de apoio da polícia aos produtores de festas. André explica que se uma pessoa briga no baile, a polícia não trata apenas com o indivíduo, não considera que somente ele seja culpado por suas ações. ¨A polícia vira a sua atenção para a festa e seus organizadores. Mesmo fazendo tudo certinho ainda podemos ser vistos como culpados¨.

A vida nos bailes começou cedo. Uma paixão que levava os dois irmãos a organizarem comboios para as festas em outras cidades até que decidiram realizar seus próprios bailes. O projeto deu tão certo que hoje os planos são de ampliar os negócios para além do oceano. ¨Mesmo com algumas dificuldades, não pensamos em parar. Pensamos em implantar a idéia do bailão no Brasil. Também temos projetos de trazer shows de lá para os japoneses. Enquanto tiver espaço, nosso negócio é ficar por aqui¨, afirma André.

Os filhos tem sido uma inspiração para o pai que no ano passado conseguiu implantar uma idéia antiga, uma associação de pequenos empresários. A ACBJ – Associação Comercial Brasileira no Japão foi homologada pelo governo japonês, em maio de 2007, com o objetivo de unir os comerciantes e profissionais liberais para uma troca de experiências.

¨Somos de uma mesma cultura, falamos o mesmo idioma, mas, estamos cada um lutando por si. Porque não juntarmos nossas forças, dialogarmos e promovermos ações conjuntas que possam beneficiar a todos? Essa é a visão da ACBJ¨, declara Gerson Kaneta como diretor da Associação.

Segundo ele, a Associação pode ajudar na orientação dos brasileiros que não conseguem informações por causa da dificuldade de comunicação. ¨Muitos não sabem, por exemplo, que o governo dá incentivos e facilita empréstimos, ao contrário do Brasil que limita com a burocracia e exige bens como garantia¨, diz.

Mesmo com a adesão de dezenas de empreendedores, Kaneta conta que tem encontrado dificuldades para realizar reuniões periódicas. ¨A maioria dos empresários não tem tempo. Está ocupada demais com seus negócios, principalmente nos finais de semana quando poderíamos estar fazendo algum evento. Mas, a Associação está buscando a melhor forma de aplicação de seus projetos e, ainda este ano, teremos novidades para apresentar aos brasileiros¨, afirma o diretor.

No dia-a-dia da loja, Kaneta diz encontrar cada vez mais pessoas que estão se fixando no Japão porque descobriram que podem vencer por aqui. ¨Você não precisa ser um profissional qualificado, com diplomas. Basta ter disposição, condição física e vontade de aprender que você consegue se dar bem e ganhar dinheiro. Se depender de mim tenho projetos que me segurariam no país por mais uns 20 anos¨, finaliza com risos.

  • Monica Carvalho Costa é jornalista e profssional de marketing. Reportagem especial para Revista LOOK (Japão)
 

 

 
 

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