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Japoneses bem brasileiros


Japoneses que amam o Brasil

por Monica Carvalho Costa *

 

Eles conheceram os brasileiros e a cultura verde-amarela e garantem que o Brasil é uma de suas paixões.

Yasuno Sakaguchi, 36, Nishio

¨Eu aprendi a cultura do abraço, fiquei mais amistosa. Venci minha timidez. Costumo dizer que tenho rosto de japonesa, mas, coração brasileiro¨

Quando começou a conviver com os primeiros brasileiros há dois anos, Yasuno Sakaguchi, não teve dúvidas de que a cultura verde-amarela influenciaria sua vida. ¨Pouco a pouco fui sendo cativada pelo carisma, alegria, desenvoltura e me identificando com o jeito de ser do brasileiro¨, afirma a consultora de beleza que hoje lidera as primeiras estrangeiras na empresa de estética em que trabalha.

Ela costuma freqüentar restaurante e lojas típicas. Adora feijão bem temperado. Visita à casa dos amigos latinos e se diverte com suas brincadeiras. Faz manicure e usa roupas com padrão tupiniquim. E agora está aprendendo o idioma português.

Para este ano, planeja sua primeira viagem ao país tropical que inclui São Paulo, Paraná e Foz do Iguaçu no roteiro. ¨Eu quero mesmo é conhecer o dia-a-dia de uma típica família brasileira. Gostaria de encontrar uma maneira de aprender o idioma da noite para o dia¨, comenta cheia de sorrisos.

Aos 36 anos de idade, Yasuno descobriu que sua empatia com o Brasil vai além da música, da moda ou da culinária. ¨Eu aprendi a cultura do abraço, fiquei mais amistosa. Venci minha timidez. Costumo dizer que tenho rosto de japonesa, mas, coração brasileiro¨.

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Shinya Takeuchi, 30, Tokai

¨Gosto de feijão, assaí, pão-de-queijo. Gosto da energia das pessoas, da simpatia com que cumprimentam¨

Foi numa academia de artes marciais, que tem como mestre superior um brasileiro de nome Barbosa, que Shinya Takeuchi, 30, nos recebeu. Vestido de kimono trazido de Curitiba, ao lado da esposa brasiliense, Cristina Takeuchi, e do professor (que já foi cinco vezes ao Brasil) Shinsuke Fukuzumi, contou um pouco de sua paixão pela cultura brasileira.

Ao acompanhar o campeonato de Jiu-jitsu, em 2004, surpreendeu-se com a criatividade do brasileiro que venceu. Saiu em busca de mais informações e começou a pesquisar tudo sobre o país - ¨sobre a história, imigração, tudo me chamava à atenção¨, diz o lutador.

¨Apesar de ser uma inovação do judô japonês, o Jiu-jitsu é um esporte brasileiro. Por isso, é quase impossível para eu separar o Brasil do Jiu-jitsu. É este hobby que me leva ao país uma vez por ano¨, justifica.

Shinya, funcionário da área burocrática, e Cristina, voluntária em projetos públicos, se conheceram quando ele procurava um professor de português para ajudar na sua primeira viagem ao Brasil. Ela conta que ele chegou com uma revista especializada nas mãos e disse: ¨Eu quero ler uma dessas¨.

Takeuchi já viajou de norte ao sul do país em busca de contato com atletas nas academias brasileiras. Mas, a preferência é Porto de Galinhas e Rio de Janeiro. ¨Sou encantado pelo Corcovado¨, diz o jovem formado em direito.

Cristina garante que ele desfruta da culinária brasileira sem restrições. ¨Só não gosto de arroz-doce¨, se defende para a esposa. ¨Gosto de feijão, assaí, pão-de-queijo. Gosto da energia das pessoas, da simpatia com que cumprimentam¨.

Seu fascínio pelo Brasil é tanto que coleciona a bandeira verde-amarela em objetos de todo tipo, o que também lhe rendeu convite para apresentar a terra aos japoneses em palestras voluntárias. Lamenta que muitos japoneses ainda desconheçam que os brasileiros residentes estão aqui por laços sanguíneos.

E lança um desafio aos brasileiros. ¨Os brasileiros não podem servir apenas para o trabalho básico. Precisam se destacar, fazer algo positivo que cause um grande impacto na sociedade, afim de que os japoneses reconheçam de fato o seu valor¨, argumenta o lutador.

  • Monica Carvalho Costa é jornalista e profssional de marketing. Reportagem especial para Revista LOOK (Japão)
 

 

 
 

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