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por Mônica Carvalho Costa
Treinamento contra acidentes de terremoto tem ajuda de jovens brasileiros como intérpretes
Pela primeira vez no Japão, jovens brasileiros participam como voluntários de um treinamento contra acidentes de terremoto. Eles foram convidados pelos japoneses para ajudarem como intérpretes no evento realizado em Higashiura, Aichi. Cíntia, Débora, Mateus, Douglas, Yoshio, Ricardo, Yukari e outros, fizeram parte do batalhão de pessoas que encenaram um dia de calamidade no último domingo de agosto. Eles são alunos das escolas japonesas, do ginasial ao colegial, que falam fluentemente o nihongo.
Michiko Isomura, 60, líder do grupo de voluntários da cidade, diz que o projeto visa treinar os jovens para ajudarem num eventual terremoto, já que é grande o número de brasileiros na região. ¨Assim como os estrangeiros não nos entendem, nós também corremos o risco de não entender o suficiente para ajudá-los num momento de necessidade¨, comenta.
Todos os painéis espalhados pelo campo de treinamento traziam textos em português e no alto-falante a tradutora brasileira trazia as informações atualizadas como se de fato estivesse ocorrendo uma catástrofe. Mas, segundo Isomura a participação dos intérpretes é decisiva para facilitar o atendimento e o socorro.
¨Eu acho melhor ter tradutor senão as pessoas não sabem o que fazer nessa hora¨, acredita Douglas Bassani, 16. Para ele o trabalho é difícil, mas, compensador. ¨Fico preocupado em explicar corretamente, mas é bom ajudar as pessoas¨, finaliza.
Para Ricardo Kenji Mukai, 15, além de ajudar as pessoas, a motivação é contar pontos na escola. ¨O serviço voluntário valoriza o seu currículo e pode me ajudar a entrar no Koko (o colegial)¨.
Cíntia Inawashiro, 16, vê ainda mais longe. ¨Acredito que participando podemos mudar a imagem que os japoneses têm dos brasileiros, que são aqueles que não participam das reuniões e de quase nada¨, analisa a jovem.
No grupo de intérpretes voluntários, estava uma professora japonesa que passou dois anos no Brasil treinando o idioma. Yoko Yshikawa, 31, mais do que uma incentivadora serviu também de modelo para os alunos. ¨Este é um país de muito terremoto. E aqui também tem muitos brasileiros. Se meu português ajudar será muito bom¨.
Isomura argumenta que seria ótimo se tivessem pessoas de outras nacionalidades, que falassem inglês, espanhol, filipino, e se prontificassem a ajudar. Para ela, a comunicação tornaria as coisas mais fáceis para todos.
(matéria publicada na revista Japan Total) |