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por Mônica Carvalho Costa, exclusivo para Revista Japan Total
Apesar dos medos e dúvidas que rondam a mente e o coração da mulher brasileira em relação à maternidade no Japão (não saber o idioma, tratamentos médicos diferenciados, a rotina de trabalho, etc.), a maioria delas não abre mão do papel de mãe. Prova disso, é o fato das brasileiras obterem o título de campeãs em natalidade entre as estrangeiras no país. O sentimento de ser mãe é tão poderoso que supera os limites e alimenta a coragem de gerar a nova vida.
Com o crescimento da barriga, cresce também a intensidade com que a mãe se dedica a casa e principalmente aos filhos. Dribla o tempo, organiza as mil e uma tarefas, administra as finanças, enfim, tudo pode ser resolvido e compensado pelo prazer de ser mãe. Trocar fraldas, amamentar, dar colinho, fazer paparicos se tornam momentos especiais e grandes demonstrações de amor.
Nossas entrevistadas mostram como isso é possível e nos dão preciosas lições que provam que ser mãe vai além da gravidez. ¨ Dar à luz ¨ é o início de uma fase que durará para sempre. Os filhos podem crescer o mundo se transformar, porém, as mães permanecerão ali sempre prontas para abraçar, cuidar, beijar e amar de uma forma singular. Sem dúvida, elas são especiais e merecem toda a homenagem que se faz no Dia das mães.
Vencendo o medo
Mônica Fukuhara, 27, de Ueda, Nagano, mãe de Gabriel, 3 meses, não se deixou abater por causa da dificuldade financeira que enfrentava, das interrogações que possuía como mãe-de-primeira-viagem nem por causa da internação prolongada que enfrentou. Quando soube que estava grávida, ela não teve dúvidas do quanto desejava esse filho. ¨ Eu queria muito ser mãe. É uma experiência indescritível para mim ¨, afirma.
Ela havia escutado muitas histórias sobre o parto não ser tão agradável no Japão e quando recebeu a notícia de que ficaria internada por cerca de três meses, devido à dilatação precoce e excesso de água no útero, teve medo. Mônica descreve o parto rindo de si mesma por causa de seu comportamento inseguro. ¨ Quando fui para a sala de parto eu tinha tanto medo que não queria que a enfermeira me deixasse sozinha um só minuto. A cada movimento que fazia, eu dizia a ela: aonde você vai, por favor, fique não saia de perto de mim. Eu acho que não vou conseguir sozinha . Ela tentava me acalmar e me incentivava: você consegue ! ¨ - conta.
Para Mônica a internação foi uma experiência de sentimento dobre. De um lado, a tristeza de não poder sair do quarto, a comida que não agradava ao paladar e as complicações da gravidez, por outro a alegria e a disposição em aprender cada lição que o momento lhe proporcionava. ¨ Achei ótimo, adorei ficar internada. Eu pude trocar idéias com as companheiras de quarto que possuíam experiência, pude aprender com as enfermeiras muita coisa sobre os cuidados do bebê. Enfim, naqueles dias aprendi como poderia ser uma boa mãe e acho que estou sendo¨ - analisa.
Ganhando a luta
Para Estela Akemi do Prado, 36, de Higashiura, Aichi, mãe de 3 filhos (Felipe de 7 e Nicolas de 4, Fabiane, 3), o trabalho ainda é a sua maior dificuldade. Segundo ela, os filhos foram muito desejados, por isso, muitas vezes sofre com o sentimento de culpa por passar pouco tempo com eles. Estela trabalha em sistema de revezamento, de dia e de noite, com várias horas extras. Algumas horas do dia ou da noite, as crianças ficam com a babá ou com o sobrinho de 13 anos até um dos pais chegarem. ¨Na semana do yakin (noite) me sobra apenas três horas para estar com eles, para brincar, dar banho e ainda, arrumar a casa, fazer a comida, lavar a roupa. Chega ser estressante¨ - lamenta.
A família já passou momentos difíceis, como os quatro meses desempregado que o marido enfrentou após ser demitido por necessitar cuidar dos filhos em casa enquanto a esposa estava internada para o parto da caçula. No entanto, Estela garante que os filhos lhe dão coragem para enfrentar tudo que for preciso. ¨ Eu posso me sentir cansada, me entristecer, mas, não me deixo abater. Logo penso em como eles são lindos, preciosos e começo a me alegrar. E arranjo forças para continuar nessa luta ¨.
Para as mães-de-primeira-viagem aqui vão algumas dicas importantes:
- Faça pré-natal. Acompanhe passo-a-passo a gestação de seu bebê
- Esclareça todas as suas dúvidas com o médico. Nunca deixe de perguntar nada, mesmo que o que você queira saber lhe pareça bobagem e siga sempre as orientações médicas
- Escolha bem o hospital. Peça referências da Maternidade
- Opte pelo parto normal. Cesariana só em caso de necessidade
- Amamente seu filho. O leite materno é saúde e vida para a criança
- Informe-se a cerca das leis japonesas para saúde e educação do seu filho.
Com o comprovante de gravidez nas mãos, a futura mamãe deve comparecer ao Centro de Saúde Pública mais próximo e retirar a Caderneta Materno-Infantil (boshi techoo). Na caderneta são anotadas todas as informações do pré-natal e desenvolvimento da criança até a fase escolar. Se a gestante (ou o marido) estiver cadastrada no seguro de saúde terá direito a receber o benefício do governo após o parto (em torno de 300 mil ienes). Basta preencher os formulários na prefeitura. As crianças podem usufruir do atendimento médico gratuito e da ajuda do leite (que agora foi estendida até aos 12 anos de idade).
Após o nascimento do bebê, tome as seguintes providências:
- Faça a notificação do nascimento na prefeitura em até 14 dias. A prefeitura emitirá a certidão de nascimento japonesa.
- Com a certidão japonesa em mãos, solicite o passaporte da criança junto ao Consulado Brasileiro.
- Em seguida, solicite o visto no departamento de imigração em até 30 dias.
- O registro de estrangeiro deve ser feito na prefeitura, em até 60 dias ou 14 dias após a obtenção do visto da criança.
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