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Emprego no Japão


Entrevista com o empresário Sérgio Tinen sobre a nova realidade do emprego no Japão

por Mônica Carvalho Costa *

O que mais você pode observar na pesquisa em relação aos trabalhadores brasileiros no Japão?

R- Que grande parte deles está no Japão por tempo indeterminado. Antigamente, você ouvia as pessoas dizerem que iam ficar dois ou três anos no Japão e acabavam ficando cinco ou dez anos. Na amostragem da pesquisa 34 por cento vão ficar por tempo inderteminado, 30% acredita que vai ficar mais de dois anos, 15% deve ficar mais de cinco anos, 5% ficará mais de 10 anos e 2,5% pretende permanecer no país.

Qual a sua expectativa para 2005 em relação ao mercado para o trabalhador e para o empresário brasileiro no Japão?

R- Sou muito otimista. A tendência é melhorar, pois, há uma tendência para o aquecimento do mercado japonês. As pessoas estão mais motivadas, muitas delas estão se fixando no Japão. Há também uma preocupação das empresas brasileiras em melhorar seus serviços, melhorar o atendimento. A grande virada é essa mostrada na ExpoRH, as empresas oferecerem algo mais. Temos que aprender e acompanhar as mudanças para aproveitar melhor o momento.

Onde estão as melhores vagas para 2005?

R- Empresas de auto-peças sempre contratam mais. No final de ano, há um crescimento na área de eletrônicos por causa dos novos lançamentos e temos o setor de alimentos que é sempre estável. Entre as vagas para pessoas com experiências anteriores e maior qualificação estão as oferecidas pelos Bancos brasileiros que estão vindo para o Japão. Todo o setor de investimentos está procurando profissional habilitado. Depois, vem a área de informática, inclusive para mercado japonês – web designer, programadores, analistas de sistemas, engenheiros. Há uma grande procura também por professores para escolas brasileiras e no setor de comércio – na área de vendas, atendimento e gerência.

Além da experiência na área, quais seriam os outros requisitos para preenchimento dessas vagas especiais?

R- Quanto maior o conhecimento do idioma japonês, melhor. Mas, também precisa ter preparo psicológico, o comportamento e a etiqueta contam muito. Não se pode esquecer da aparência pessoal, vestimenta e cabelo. Senso de liderança e capacitação pessoal também são importantes e, por fim, eu diria que é preciso estar atualizado com os acontecimentos, com o mundo. Já vi pessoas com excelentes currículos que não estavam nem um pouco preocupadas com a aparência ou que seu mundo se limitava à fábrica, infelizmente pessoas assim não tem muitas chances.

O que deve fazer, aquela pessoa que tem a experiência anterior, trabalhou na área no Brasil, mas que já está algum tempo na fábrica?

R- Essa pessoa deve se atualizar, se reciclar. Se já sabe o japonês aprenda o inglês. Seja alguém antenada com o mundo. A internet está aí para isso. Precisa ter metas, objetivos, estar sempre se preparando. Mesmo um jovem sem experiência, mas, que deseja se destacar no mercado como um profissional qualificado para outras oportunidades além da fábrica, deve investir no desenvolvimento pessoal.

Com a invasão dos chineses, da mão-de-obra mais barata que deve vir para o Japão, você acha que vai dificultar a contratação de brasileiros?

R- Não. O brasileiro tem um perfil diferente do asiático. Sua força de trabalho, sua determinação. As empresas sabem que a mão-de-obra brasileira é mais cara porque é mais qualificada. Se o trabalhador brasileiro se qualificar e selecionar as empresas de contratação, ele não enfrentará crise de emprego. Basta ver o que aconteceu na ExpoRH, 1,5 mil vagas para estrangeiros.

  • Mônica Carvalho Costa é jornalista, profissional da área de comunicação e marketing e líder cristã
  • Resumo da matéria publicada na Revista Look (Japão)
  • Sérgio Tinen é um dos organizadores dos maiores eventos brasileiros em solo japonês: a ExpoBusinnes e a ExpoRH de recursos humanos (na foto )

 

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